Resoluções de ano novo com yoga Mais do que posturas, a yoga ajuda a moldar e concretizar desejos.

Não há desvios, por mais tortuosos que sejam, que não possam ser caminho.

Começo com tal frase porque a esta altura tem muito “Ser” em desespero e desesperando os outros. Isso tudo por conta daquelas malditas metas de fim de ano. As listas que caem nas águas do Estige, o rio que leva até Hades, ou seja, o profundo esquecimento.

A “lista” deve ser interna, simples e cheia de fé em si. Se formos radicais, usando de rispidez, de força, tudo cairá mais facilmente por terra. Redescobrir-se, desmontar-se para ver o que realmente importa, leva tempo. Retirando tudo de lixo, de excessivo, de lastimável e de obsoleto em cada um de nós. É o começo de uma caminhada iniciada aqui, quando decidimos voltar e aprender a parar e respirar.

Um exemplo desse aprendizado é a enxaqueca. Ela me acompanhou por anos até eu colocar na minha vida a prática de Yoga, construindo as modificações necessárias e descobrindo os gatilhos emocionais e alimentares que me conduziam a minha companheira mensal. Gradativamente ela foi minguando, até me deixar em paz.

Para isso fiz uma coisa que se usa nas aulas, denominada Sankalpa. Traduzindo: um objetivo por vez. Escrevemos aquilo que necessitamos modificar no momento. Focamos nesse motivo por um ciclo de quatro luas, entre 21 e 28 dias. Depois de atingido o objetivo, respiramos um pouco e escrevemos outro. E assim sucessivamente.

O que vem depois disso é ampliar o nosso campo respiratório através de um ensinamento bem antigo: inspirar e expirar vogais. Continuamos acrescentando sobre o caminhar e o respirar anterior.

respirar sentadoSentados numa cadeira com as costas retas, palmas das mãos relaxadas sobre as coxas e com os pés bem fixos no chão, inalamos pelas narinas e exalamos soltando pela boca a vogal A. Em seguida, E, I , O e U. Se fizermos isso de olhos fechados é bem mais gostoso. As inalações devem ser feitas no mínimo três vezes.

Respectivamente, a vogal A quando emitida beneficiará o esôfago, as três costelas superiores e o lobos pulmonares. Depois, a vogal E beneficiará todas as vísceras, o fígado, intestino e gônadas. Com a vogal I, o tórax e diafragma. Com O, a garganta, as cordas vocais, a laringe e tireoide. E por último, a vogal U beneficiará os rins, reverberando na caixa craniana.

Suavizando as teias intermináveis de pensamentos e cobranças, o rio da mente se torna brando e delicado. Usei muito isso quando apresentava teses. Chegava mais cedo no local e sozinha num canto ficava fazendo essa pequena prática. Tudo saia harmônico. Falava o suficiente e jamais perdia a condução do tema.

Como vemos, a prática de Yoga é realmente algo que se estende além dos ásanas, das posturas. Um ensinamento que se leva além do corpo, que nos permite cuidar de nós mesmos e viver melhor, um pouco a cada dia.


Luana Mia é mãe, historiadora, bailarina, instrutora de Hatha Yoga e budista. Atualmente está escrevendo um livro de bolso sobre gatos, desmistificando os tabus sobre eles. Já passou por várias nuances da vida em que muita vezes foi estigmatizada de “estranhamente rebelde”. Hoje compreende que como ela, há pessoas em que a alma fica gritando: vai pula, você consegue! Enquanto outras buscam amarrar suas pernas. Mas a alma tem pernas maiores e a busca pela compreensão de si a fez ver que rebeldia era uma porta que a levaria para o resto do mundo em si mesma.

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