O poder da respiração Luana Mia dá dicas de como se conhecer através da respiração.

Nem sempre nos lembramos, mas o ar que hoje respiramos é o mesmo ar dos dinossauros. Começo esse texto afirmando isso porque muitas terapias indicam que devemos tomar ar fresco ou sair das cidades em busca disso. Mas e quando não dá?

Hoje, nem sempre é possível fazer isso. Estamos tão urbanizados que tudo gira em torno de cidades e esse tal ar “mais puro” fica a desejar. Vivi em várias cidades: interior e capitais. Falo e escrevo o que em mim reconheço como possibilidade. Portanto, o ar mais fresco que “tenho”, ou melhor, que me é oferecido, é o da manhã. Claro, que o ar da manhã nos pede que acordemos cedo para poder inspirar e expirar. Se possível acordar às seis. E simplesmente abrir a janela, deixando o ar velho sair e o novo se espalhar. Isso retira a umidade do lugar e o mofo da alma.

Aprendendo a fazer a respiração dita aqui, denominada de respiração baixa, estamos num caminho de novas percepções. Essa primeira é feita inconscientemente. Ainda cremos que respirar é algo que só se faz com a barriga. Olhando detalhadamente ao redor, podemos aprender como as árvores respiram em cada pedaço seu. Cada folhinha dela vibra, absorve certas moléculas e “transpira”. Cito essa nossa companheira, porque se almejamos ter energia e sabedoria, elas são as mestras. Assim sendo, ensinarei muito suavemente um outro tipo de respiração. Levando-nos mais além.

Podemos ficar de pé ou sentadas. A diferença é que de pé estamos também trabalhando nossas raízes, aterrando-as quando ficamos de pés descalços praticando essa respiração. É pelos pés que podem escorrer nossas fadigas e tensões. Depois readapte sentando de costas retas, caso deseje. A disciplina de fazer todo dia um pouco é que vale. A sua fé vai remover a sua montanha de obstáculos (imaginários e reais). Gradativamente as mudanças vão ocorrendo com firmeza, estabilidade e beleza.

respiracao baixaFique em pé, com os pés afastados pela largura do seu quadril. Deixe os joelhos na sua curvatura
natural, não empurre-os para trás, e fique assim por alguns minutos. A coluna precisa se orientar no seu eixo. Ponha a palma da sua mão direita sobre o umbigo. Depois ponha palma da sua mão esquerda no meio do tórax. Ou se preferir, onde denominamos que fica o coração. Inalando, comece a deixar o ar entrar pela parte que toca a mão direita, o baixo ventre. O ar continua subindo até a mão esquerda. Exalando, o ar desce da mão de cima para baixo… sucessivamente.

Para melhor compreender, veja seu ventre como a base de uma garrafa d’água. Ou de uma jarra de barro, moringa (a quartinha para os nordestinos). A boca da garrafa é onde fica sua mão esquerda. Imagine o ar subindo e descendo. Pelas narinas, sempre. Olhos bem abertos a princípio. A respiração lenta acalma. Quando profunda, harmoniza, e longa, dá poder e concentração. Poder sobre você mesmo. Não somos só aquilo que comemos e pensamos. “Conhece-te a ti mesmo” pelo ar que inspira e expira e como você o faz.

Esse poderia ser o novo lema do Oráculo de Delfos.


Luana Mia é mãe, historiadora, bailarina, instrutora de Hatha Yoga e budista. Atualmente está escrevendo um livro de bolso sobre gatos, desmistificando os tabus sobre eles. Já passou por várias nuances da vida em que muita vezes foi estigmatizada de “estranhamente rebelde”. Hoje compreende que como ela, há pessoas em que a alma fica gritando: vai pula, você consegue! Enquanto outras buscam amarrar suas pernas. Mas a alma tem pernas maiores e a busca pela compreensão de si a fez ver que rebeldia era uma porta que a levaria para o resto do mundo em si mesma.

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