Literatura policial escandinava conquista o mundo

A Escandinávia – formada pelos países nórdicos Dinamarca, Noruega e Suécia, e por extensão Ilhas Faore, Finlândia, Groenlândia e Ilhas Åland – tem produzido uma quantidade enorme de literatura policial de alto nível.

A região é conhecida pela qualidade da saúde e da educação e pelo aparente mito das altas taxas de suicídio. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde, nenhum país escandinavo está entre os dez com maior taxa de suicídios no mundo.

Então como pode uma sociedade tão calma e organizada gerar tantas obras que giram em torno de crimes?

Alguns dizem que o contraste do sangue no branco da paisagem invernal cria um impacto no imaginário que ajuda a vender livros. Outros acham que os longos invernos são deprimentes e tornam-se campos fecundos para a criação de histórias do gênero. Conjecturas…

Seja lá o motivo para essa explosão, o que sabemos, de fato, é que o escritor sueco Stieg Larsson (1954-2004) vendeu mais de 350 mil exemplares da trilogia Millenium aqui no Brasil. Ao todo foram 66 milhões de livros vendidos no mundo todo.

Stieg Larsson - Milleniun
Milleniun – “Os homens que não amavam as mulheres”, “A menina que brincava com fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”

Em 2009 os romances de Larsson foram lançados nas telas de cinema da Europa e em 2010 ganharam produção americana. A mesma coisa aconteceu com o escritor norueguês Jo Nesbø, que teve seu romance policial “Headhunters” adaptado para a telona.

O mercado escandinavo é tão efervescente que em 1992 foi criado o prêmio literário “Prêmio Chave de Vidro” (Glasnyckeln) concedido anualmente pela Associação Escandinava do Romance Policial. Vários autores premiados já tiveram suas obras traduzidas e publicadas por editoras brasileiras.

Veja a lista dos ganhadores:

Ano Autor Título original Título português País
1992 Henning Mankell Mördare utan ansikte Assassinos sem rosto Suécia
1993 Peter Høeg Frøken Smillas fornemmelse for sne Senhorita Smilla e o Sentido da Neve Dinamarca
1994 Kim Småge Sub Rosa Noruega
1995 Erik Otto Larsen Masken i spejlet Dinamarca
1996 Fredrik Skagen Nattsug Noruega
1997 Karin Fossum Se dig ikke tilbake! Noruega
1998 Jo Nesbø Flaggermusmannen Noruega
1999 Leif Davidsen Limes billede Dinamarca
2000 Håkan Nesser Carambole Suecia
2001 Karin Alvtegen Saknad A Procurada Suécia
2002 Arnaldur Indriðason Mýrin A Cidade dos Vidros Islândia
2003 Arnaldur Indriðason Grafarþögn Islândia
2004 Kurt Aust (Kurt Østergaard) Hjemsøkt Noruega
2005 Anders Roslund e Börge Hellström Odjuret A Besta Suécia
2006 Stieg Larsson Män som hatar kvinnor Os Homens que Odeiam as Mulheres (Portugal) /
Os Homens Que Não Amavam as Mulheres(Brasil)
Suécia
2007 Matti Rönkä Ystävät kaukana Finlândia
2008 Stieg Larsson Luftslottet som sprängdes A Rainha no Palácio das Correntes de Ar (Portugal) /A Rainha do Castelo de Ar (Brasil) Suécia
2009 Johan Theorin Nattfåk Suécia
2010 Jussi Adler-Olsen Flaskepost fra P Dinamarca
2011 Leif G W Persson Den döende detektiven O Detetive Moribundo Suécia
2012 Erik Valeur Det syvende barn O setimo filho Dinamarca
2013 Jørn Lier Horst Jakthundene Noruega

Fonte: Wikipedia

A aposta na literatura policial também vem aquecendo o mercado brasileiro. Em 2013, o Grupo Editorial Autêntica lançou o selo Vestígio (Hello, Alfred Hitchcock!) dedicado exclusivamente a romances policiais, com obras consagradas de autores estrangeiros. A editora subdividiu o gênero em três estilos, sendo um dedicado ao policial escandinavo, que pode ser identificado pelo título da capa em azul. Os outros estilos são: thriller, em laranja, e policial de época, em vermelho.

Dicas de leitura para curiosos e fãs do gênero

Estava escrito, de Gunnar Staalesen (Vestígio). As aventuras do detetive Varg Veum o levam a um mundo obscuro, em que adolescentes privilegiados são atraídos para as drogas e a prostituição. A situação fica ainda pior quando o juiz local é encontrado morto em um hotel de luxo, usando lingerie.

A fera interior, de Lotte e Søren Hammer (Vestígio). O romance de estreia da dupla nos apresenta o detetive inspetor Konrad Simonsen em um caso complexo e horripilante: cinco corpos mutilados, castrados, são encontrados em uma escola. Com uma narrativa envolvente e estimulante, o leitor é levado a questionar suas próprias certezas éticas sobre um assunto ainda tabu na Dinamarca: a pedofilia.

A Rede, de Hakan Nesser (Objetiva). O primeiro de uma série de dez títulos protagonizados pelo detetive solitário Van Veeteren. Ele enfrenta as investigações policiais da pequena cidade sueca de Maardam buscando compreender as razões mais obscuras que levam as pessoas a praticar o mal. É essa sua atitude que o faz duvidar da culpabilidade de Janek Mitter, um homem que acorda certo dia e se depara com a própria mulher assassinada na banheira de sua casa.

O Homem de Beijing, de Henning Mankell (Cia. das Letras). Uma juíza investiga a morte de dezenove idosos no norte da Suécia. Distribuída entre quatro continentes, a narrativa desafia as convenções do gênero policial, conduzindo a um vertiginoso labirinto de referências históricas, culturais e geopolíticas.

Boneco de neve, de Jo Nesbø (Record). Considerado pelo jornal inglês The Guardian seu livro mais ambicioso e comparado a “O silêncio dos inocentes, de Thomas Harris, pelo The Times. No dia da primeira neve do ano, na fria cidade de Oslo, o inspetor Harry Hole se depara com um psicopata cruel, que cria suas próprias regras. O terror se espalha pela cidade, pois um boneco de neve no jardim pode ser um aviso de que haverá uma próxima vítima. Hole se envolve em uma trama complexa e mortal, com final surpreendente.

Gangsters, de Klas Östergren (Record). Na continuação do best-seller Gentlemen, Klas viaja pelo submundo e mixa narrador, escritor e protagonista — aqui, um escritor arruinado. Pessimista e sarcástico na medida, Klas investiga um dos males da perfeita Suécia: a indústria bélica.

Gritos do Passado, de Camilla Läckberg (Planeta). Um cadáver na praia; sob ele, dois esqueletos enterrados décadas atrás. Às voltas com a gravidez de sua mulher, um policial inexperiente investiga o que pode ser a obra de um serial killer com implicações religiosas.

A Mancha de Sangue, de Asa Lärsson (Planeta). A pastora de uma cidade aparece enforcada na igreja e Rebecka Martinsson, uma advogada contábil (como a autora Asa — que não é parente de Stieg) se mete na investigação. A autora é notória por juntar política e religião em suas tramas.

Boa leitura!

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