Foto: Dario Sanches

Entendendo a natureza Dica poética para compreender como funciona a ordem universal.

O UNIVERSO E O BEM-TE-VI
– Elza Cléa –

Libélula, amendoeira em flor, fio que passa. Alguém na janela a tudo assiste: movimento e pouso da libélula, tão delicados sobre as flores da amendoeira que sugerem a um observador menos atento que ela apenas as cheira.

Mas não! Ela se alimenta! Aparentemente saboreia com muita satisfação e cuidado, quem sabe escolhendo as mais frescas e saborosas, em absorta ingestão.

(Será que alguém, fora da curiosidade infantil e que não seja um biólogo, já se fez essas perguntas: “como as libélulas se alimentam? Será que elas gostam de flores de amendoeira?”).

Contemplação.

A poucos metros de distância um fio de eletricidade e sobre ele pousa um pássaro, um bem-te-vi. Olhar displicente para um lado, para o outro. Aparentemente descansa, do jeito “não estou nem aí”. Alguns instantes de olhos no pássaro e o observador retorna à absorvente contemplação do banquete da libélula.

Em poucos segundos, a ação: um voo repentino e ligeiro do pássaro risca rente à libélula. Em sequência, dolorosas e sucessivas percepções: a libélula não mais está lá. Mais uma fração de segundo, a conclusão: o pássaro a levou no bico para o seu próximo banquete.

Sentimentos explodem: surpresa, espanto, indignação, pena, raiva e repentinamente a apaziguadora compreensão. Compreensão da cadeia biológica. Compreensão da ordem do Universo.

Quer conhecê-la? Observe-o em suas formas mais simples. Ela se revela não só no grão de areia, como antologicamente nos é sabido. Ela pode ser também contemplada e compreendida nos desejos das espécies, no voo de um pássaro ou na simples refeição de uma libélula. Basta observar. E estar pronto para se surpreender.


 

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