Criando novos hábitos O que é preciso para mudar e criar hábitos mais saudáveis, por Luana Mia.

Quando decidimos mudar algo em nós mesmos, “cremos” só poder fazer tal mudança se tivermos todos os apetrechos. Para praticar Yoga, a única coisa necessária é a sua presença (estar prestando atenção no que faz) e sua respiração. Não vou mentir nem omitir quanto à prática de Yoga. Ela pode ser dada para qualquer pessoa, inclusive aos indivíduos em processo de restabelecimento oriundo de rádio e quimioterapias ou casos de desintoxicação por drogas. Mas nem todo mundo é para o Yoga. Quando afirmo isso, me refiro ao tipo de aula que você procura e o tipo de aula que o(a) instrutor(a) lhe dará. O tipo de aula e como se sente nela devem ser estágios harmônicos. Ao sair da prática, deve-se estar muito melhor do que ao entrar.

Mas melhor em quê?

O sistema nervoso deve estar completamente descansado, lúcido e leve. Corpo não dolorido, e tudo que foi experimentado deve ter feito você se sentir bem. Práticas extenuantes não levarão a esse processo. Por isso, muitas vezes quando procuramos uma linha de Yoga (Hatha, Asthanga, Ayengar e etc.) devemos fazer uma aula experimental e observar o(a) instrutor(a) como uma ferramenta e nunca como muleta.

Uma anamnese cuidadosa deve ser feita sempre. Se ocorrer algum problema de ordem orgânica ou emocional, devemos compartilhar com o(a) instrutor(a) à sua frente. Ajustes em detrimento da sua dificuldade podem e devem ser feitos sempre que necessários. Não se deixa pra contar que está passando por uma crise de labirintite, por exemplo, quando já caiu. Estabilidade e conforto são os dois mandamentos de ouro em toda prática, em todas as linhas.

Cada Yoga possui uma linhagem de um mestre específico. E as posturas podem ser diferentes quanto ao nome ou a forma de se executar. Mas todas se originam do Hatha-Yoga. É a mãe de todas, simplificando bastante. Não confunda estabilidade com perfeito equilíbrio e beleza instantâneos. A pessoa ao seu lado não faz tudo perfeito. Ela pratica há anos.

No caso do conforto, se houver mais relaxamento que todo o resto, não é Yoga. Ambos são atributos internos. Cada vez serão dispostos no seu corpo, mente e alma de uma maneira inusitada, pois os efeitos do Yoga não são lineares, nem puramente analíticos. Eles perpassam as camadas que você não vê, não quer ver, não tem ainda condições de ver sozinha.

As posturas serão colocadas de acordo com a sua evolução, sempre! Nunca ao contrário.

Se você entrar numa sala e tiver gente no início da aula fazendo posturas invertidas, de cabeça para baixo (isso existe!), só há um caminho: saia imediatamente. Tudo tem seu eixo e momento.

Yoga se faz enquanto lavamos os pratos, arrumamos a cama, limpamos o quintal ou levamos o lixo pra fora. Mas isso é assunto pra outros encontros. Por hora o que posso concluir é que se você quiser começar agora (?), podemos ir juntas nessa.

Sente-se numa cadeira que não lhe deixe com a coluna “mole”. Sofá nem pensar! Sente-se numa cadeira de reto espaldar. Pernas separadas e pés bem colocados no chão. Isso é muito importante. A bacia precisa estar confortável. Coloque uma mão, a palma, na altura do seu umbigo, e a outra sobre ela. Como se fosse um abraço no umbigo com as mãos. Feche ou só semicerre os olhos, se lhe for confortável.

Bem devagar comece a perceber a sua inalação (ar que entra) e a exalação (ar que sai). Apenas perceba o ar entrando e saindo, sempre pelas narinas. Se sua mente ficar lhe gritando mil coisas, deixe-a gritar. E volte a respirar. E de novo… e de novo. Todas as mentes são iguais.

As dificuldades humanas fazem parte do desafio em mudar. Fique assim por pelo menos cinco minutos. Aos poucos vá passando para oito, dez, quinze. Lembre-se: a mente é uma criaturinha bem dispersa. No século XXI está mais tresloucada, pirada mesmo. Faça esse movimento inicial sempre no mesmo lugar e horário, se possível. A mente irá registrar isso como um novo hábito após trinta dias.

Adote um hábito melhor, esta é a maneira mais suave de mudança.


Luana Mia é mãe, historiadora, bailarina, instrutora de Hatha Yoga e budista. Atualmente está escrevendo um livro de bolso sobre gatos, desmistificando os tabus sobre eles. Já passou por várias nuances da vida em que muita vezes foi estigmatizada de “estranhamente rebelde”. Hoje compreende que como ela, há pessoas em que a alma fica gritando: vai pula, você consegue! Enquanto outras buscam amarrar suas pernas. Mas a alma tem pernas maiores e a busca pela compreensão de si a fez ver que rebeldia era uma porta que a levaria para o resto do mundo em si mesma.

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