Cada dia um pouquinho Descubra como encontrar a paz no contentamento diário, nas pequenas coisas.

Hoje em nosso modo de viver, creio que o maior desejo seja a paz. Na prática de Yoga existe um conceito, digamos muito sucintamente, de busca dessa paz através do contentamento. Longe de mim frisar conceitos hinduístas sobre como ele se adequa dentro dos parâmetros da religião. Não tenho religião alguma. Exerço uma religiosidade solitária. Acredito que estamos em construção e desconstrução a cada minuto. O aprendizado maior e menor é consigo, assim como ficar nua diante do espelho. No entanto a maioria de nós busca a paz junto a uma congregação ou grupo religioso. No entanto, a paz a que me refiro é aquela sua, única dentro do seu lar. Entre algumas paredes que são só suas. Sua casa, ou a sua segunda casa, já que a primeira é o seu corpo. Sim, sobre essa que indago: aquela que tornou-se sua pelo seu nascimento, vida e a que tens como remetente ao final do dia.

bolo cafeO conceito de contentamento referido é o de ter menos e de ser menos do que mais, em tudo! Estar perdido no cotidiano tão esquecido e assoberbado das paradas sedentárias que temos ao chegarmos até o sofá ou cama. Atos como brincar com o cachorro, de preferência correndo atrás dele; ou aguar um jardim ou uma floreira; de fazer um bolo (não de caixinha, perde a graça!). E esperar com calma o cheiro se espalhar nos corredores, se sentindo orgulhoso dessa simples doçura. Isso é ter menos e ser menos porque o que se espera não é o lucro nem moeda. E o que se é não necessita de mil selfies pra outros verem. Tais coisas só te pedem um pouco de calma para consigo mesma e contentamento em esperar por elas. Logo o cão ou cadela vai estar tirando um cochilo pertinho de você e o bolo vai estar esfriando pra um café da tarde quentinho.

Aprendi há muito tempo a fazer esse ritual do café da tarde com uma “maga”, que se destitui de qualquer orgulho em sê-la. Eu a incorporei ao meu condão de mulheres especiais, raras mesmo, nos ensinamentos de minha vida.

Na pratica do Yoga se incorporam esses conceitos, simples ensinamentos. Sobre o tapete, com pés nus lhe basta, o corpo e o respirar calmo, profundo e lento. O corpo não vai se importar se veste uma legging da Adidas ou se está de sunguete. Isso também é ter menos e ser menos. Poucas coisas pra fazer te darão mais espaço pra se autoconhecer sem ter de ir “eternamente” ao analista. Ou virar refém de um guru.

Seu dentro e seu fora estão aí, aguardando pra que sejam redescobertos, encontrados e compartilhados com a sua presença maior: seu SER. Contentamento é ser feliz? Sim, é isso mesmo. Mas todo dia um pouquinho, eis o segredo que tornará seus dias em dias de Paz.


Luana Mia é mãe, historiadora, bailarina, instrutora de Hatha Yoga e budista. Atualmente está escrevendo um livro de bolso sobre gatos, desmistificando os tabus sobre eles. Já passou por várias nuances da vida em que muita vezes foi estigmatizada de “estranhamente rebelde”. Hoje compreende que como ela, há pessoas em que a alma fica gritando: vai pula, você consegue! Enquanto outras buscam amarrar suas pernas. Mas a alma tem pernas maiores e a busca pela compreensão de si a fez ver que rebeldia era uma porta que a levaria para o resto do mundo em si mesma.

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